Opinião
Este livro começa, em termos históricos, nos últimos tempos do reinado de Akhenaton, em que este se encontra privado da companhia de Nefertiti, a Grande Esposa Real, companheira, conselheira e apoio moral e psicológico de Akhenaton, devido a uma reclusão auto-imposta pela sua própria frágil condição física.

Sem o ponto de equilíbrio que Nefertiti representa, Akhenaton, dedica-se com um fervor religioso a roçar o fanatismo, à adoração daquele que considera como o único deus, Aton, deixando o reino nas mãos de terceiros, muitos dos quais opositores não confessos da alteração religiosa que Akhenaton tenta impor a todo o reino: o completo desprezo e renúncia a todos os outros deuses do panteão egípcio, levando o Egipto à beira de uma guerra civil!

No meio de toda esta turbulência surge Akesa, terceira filha do par real e, à partida, sem nenhuma hipótese de subir ao poder mas, isso não a impede de tentar por todos os meios, conseguir convencer os seus pares (pais e outros) de que é a única capaz de assumir a posição da mãe como Grande Esposa Real.

Por circunstâncias que hão-de descobrir, Akesa ascende ao trono e nomeia como faraó Tutankaton (que mais tarde haveria de mudar o nome para Tutankamon em honra do deus Amon), e começa, a pouco e pouco, a mostrar quem é. Detentora de uma beleza física ímpar e de uma inteligência fora do comum, Akesa tenta tomar as rédeas do reino e impedir que este caia nas mãos dos inimigos do seu pai, provando ser a verdadeira herdeira da sua mãe, Nefertiti. Estas qualidades serão a sua perdição!

Quanto à minha opinião do livro em si, só posso dizer que gostei, e muito!

Apesar de o pouco que me lembro deste período histórico do Egipto, em certos aspectos, parecer-me não bater muito certo com o que aqui está escrito (despertou a minha curiosidade para voltar a aprofundar os meus conhecimentos nesta área), a personagem de Akesa é absolutamente fascinante, é alma deste livro. É impossível não admirar a sagacidade, tenacidade e inteligência desta jovem mulher. A sua devoção pelo pai e por tudo o que ele representou, a dedicação com que se entrega a recuperar a posição dominante do Egipto e a salvá-lo da pilhagem dos inimigos e amor que devota a tornar Tutankamon um faraó digno do posto, à custa, muitas vezes, do seu bem-estar físico, é digno de admiração!

Se Akesa tiver sido metade daquilo que foi descrita, terá sido, sem dúvida alguma, uma das mulheres mais fascinantes do antigo Egipto. Pena que, muito provavelmente, nunca saberemos a verdade acerca desta personagem histórica.

A teia de relações, conspirações, lutas pelo poder e intrigas amorosas criadas por Christian Jacq são demolidoras e traçam um retrato que demonstra, que o poder, para além de corruptivo, é volúvel e solitário. Estar no poder é viver no fio da navalha!

Quanto à escrita, é um livro que, embora escrito num estilo simples e sem grandes floreados literários, consegue que o suspense seja mantido de forma quase constante recorrendo para isso à sombra permanente da traição, a qual pode surgir de qualquer um dos lados do campo desta batalha sem fim.

Uma nota final acerca desta edição.
Julgo ser absolutamente inconcebível que, um livro que já conta com várias edições (ainda que noutro formato), tenha ainda tantos erros por rever e corrigir ao longo de toda a obra. Deve de ter sido dos livros em que mais erros de letras trocadas encontrei! Vergonhoso!

Quanto ao formato 11/17, adorei! É do tamanho e peso ideais para leituras deitada na cama ou no sofá, ou até para transportar dentro da mala. Apesar de continuar a achar 10€ um bocado puxado de mais para um formato que se quer substancialmente mais em conta que o normalmente editado, prefiro dar 10€ por este livro que 7 ou 8 por um daquelas colecções em que as capas mal se distinguem umas das outras, sendo por vezes a distinção apenas feita em termos de título da obra e autor. Resumindo, fiquei fã!

Ficha Técnica

Comments (4)

On 11 de agosto de 2009 às 22:21 , Canochinha disse...

Obrigado pela opinião! É um dos que tenho vontade de comprar desta colecção (que já agora, também gosto bastante), apesar dos erros que referes :/

 
On 11 de agosto de 2009 às 22:26 , Mónica disse...

Os erros não são nada de substancial ou que impliquem não perceber algo da história, apenas são muitos! É que, ao número de edições que já teve, não é de forma alguma desculpável tanta letra trocada!! :(

 
On 11 de agosto de 2009 às 22:31 , Canochinha disse...

Ou seja, limitaram-se a colocar o texto noutro formato e ninguém se deu ao trabalho de o rever... *rolleyes*

 
On 21 de janeiro de 2010 às 15:52 , Patrícia disse...

Olá
Quase todos os livros de Christian Jacq são fantásticos. Isto para quem gosta do egipto, claro.
tenho pena de, na altura em que li os livros dele, ainda não haver esta edição....Boas leituras.